Por que “já” quer dizer agora, e “já, já” quer dizer daqui a pouco?
Há uma temporalidade intrínseca à fala, uma temporalidade de magnitude diferente à do pensamento. Desse modo, ao pensarmos no já, momentâneo, nos vemos na impossibilidade de proferir uma palavra, qualquer que seja, tão instantânea quanto o que vem a mente, sendo a fala então uma premeditação do que vai acontecer – o já não é o agora do pensamento, mas o agora do processo da linguagem e comunicação, já tendo iniciado como uma mensagem codificada e transmitida pelo meio. Esse atraso do “já” pode ser desprezível, mas existe, e quando concatenados dois ou mais “já”s, esse atraso tende a aumentar – é uma cadeia recursiva, onde o enésimo “já” é, na verdade, o momento da propagação da mensagem desse, que só pode ser pensada após a propagação do “já” n-1, e assim por diante, criando um atraso cada vez maior.
É justamente por causa disso que “Já” quer dizer agora e “Já, já” quer dizer daqui a pouco… OU NÃO.
Moon é uma menina de uns 20 anos, magra como uma pessoa muito magra, e com um par de olhos lindos como, bem, um par de olhos lindos. Costuma vestir as roupas que gente que nem ela acha legal, ou seja, roupas que pessoas comuns, dessas que vão pra firma ou aparecem na tv, acham bastante anormais, provavelmente usadas por viciados em drogas hi-fi, putas de família, ou jogadores de videogames.
No entanto, ela não é drogada, nem puta, muito menos jogadora de videogames. Moon é só uma menina que vive para cá e para lá nas ruas da cidade, tentando encontrar seu lugar nesse plano, ou em qualquer outro plano que conseguir entrar, enquanto finge ser uma pessoa com vida, estudando e trabalhando e coisando todas essas coisas que pessoas normais estão supostas a coisar.
Moon tem a voz doce como um sorvete que foi adoçado demais, e talvez por isso, as pessoas como ela, que fingem coisar as já ditas coisas, adoram tanto conversar com ela. Ela se sente muito bem em conversar com as outras pessoas, assim como se sente muito bem em pilotar aqueles exoesqueletos movidos a gás enormes de 2 anos atrás, assim como se sente muito bem em fazer um novo corte no braço direito cada vez que faz aniversário. Ela já tem em torno de uns 15 cortes (afinal, não faz isso desde o primeiro aniversário), e adora muito essa coleção.
O que Moon REALMENTE não gosta é de ver qualquer - deixando claro que é QUALQUER - coisa que tenha as cores lilás, verde e vermelho muito próximas umas das outras. A dor é insuportável, e a sensação é de que essas cores irão se transformar em um imenso e assustador animal comedor de sonhos, ou talvez comedor de biscoitos, que vai trancá-la em um mar de cor um tanto lilás, um tanto verde, um tanto vermelha, e definitivamente não amarela, onde deverá, para sempre, respirar em baixo d’água como um vil peixe que não sabe nadar.
Renasce, ora, agora, hora antes
A bola fora de uma jogada mal calculada
Exosintática, pois, lúdica somente
De uma palavra alheia ao seu contexto
Pragmática não, idioglóssica
Fruto das mãos rudes e delicadas
Residentes dum hiperespaço assimétrico
Do virtualismo de um espelho trincado.
Agnóstico de ideias.
O Frio do Inverno congela, mata, desgasta, corrói, dói, ama.
O Frio do Verão congela, mata, desgasta, corrói, dói, odeia.
Quantos dedos serão necessários, até que findo-kindos podereseremser quebrados no encanto enquanto do ser.
E então, congelada, ela entrou pelo tubo, escorregando, e caiu toda molhada no fim do mundo.
Alice perguntou - “O que são as gotas de chocolate que caem do céu quando os sinos de mingau e pelos gostam? Quando eles caem, parecem que vão se machucar, mas então somem antes que eu possa comê-los!”
Jack Sparrow mãos de tesoura abriu a boca para falar, mas Alice gritou - “Não estrague a retórica! Oh, perdão senhor! Eu fui uma tola em gritar com o senhor, por favor me perdoe. Mas foi assim que fui ensinada, perguntas sem respostas não devem nem TENTAR ser respondidas.”
Porém, a Coruja sábia de Hyrule atreveu-se a responder: “Mas acontece, pequena Alice, que ninguém faz perguntas sem esperar respostas. Então, desta forma, nenhuma pergunta está sem resposta. Só por que você ainda não encontrou todas as respostas, não pode dizer que elas simplesmente não existem. Você entendeu tudo o que eu disse?”
>Não
Sim
Alice apertou para baixo, e então (A), e a coruja vôou pelos céus. A princesa dos cogumelos estava andando por perto, e Alice arriscou puxar conversa, mas a princesa não respondeu.
- O que você está fazendo? - Perguntou Alice.
Mas a princesa fazia movimentos estranhos, pulava e corria, mas não falou nada.
- O que você está fazendo? - Tornou a perguntar Alice, que além de muito curiosa e esperta, nunca renunciara uma pergunta na vida.
- Argh! Menina, não tenho tempo para perguntas, bolos, gatos ou desenhos de jibóias, sejam elas abertas ou fechadas!
Alice ficou assustada e não entendeu o que a princesa quis dizer, até que ouviu um barulho estranho. Então, olhou para cima da cabeça da princesa, e viu uma caixa voadora, com algumas moedas caindo para fora, o que parecia significar que aquilo era um baú cheio de tesouros.
- Pronto menina, podemos conversar agora! - disse a princesa
- O que você estava fazendo? - retrucou Alice
- Mas você não percebe as coisas? Como pode, uma menina da sua idade, não entender algo tão óbvio como Um e Dois são Dois.
- Não, senhorita, um e dois são três…
- Não mesmo, menina! Como você é burra! Um é um número, Dois é outro número, é lógico que Um e Dois são apenas dois números!
- O que você estava fazendo, Majestade? - Alice não sabia qual era o tratamento que deveria usar ao falar com princesas. Isso aconteceu porque ela nunca brincava de princesas, ela era sempre a Rainha, e Diná era sua empregada. “A, se Diná estivesse aqui, ela ia poder brincar de gata borralheira comigo e com essa princesa, ia ser tãao divertido!”, pensou Alice.
- Eu estava desenterrando o tesouro, você não viu?
- Como você estava desenterrando algo que nem na terra estava? - Alice estava realmente muito confusa.
- Como você respira algo que nem está na terra? Viu, sua pergunta não faz sentido, você deveria ser mais esperta, para a sua idade!
Alice ficou muito corada nesse momento.
- E porque você estava desenterrando o tesouro? - Perguntou Alice, tentando esconder sua vergonha.
- Ora, porque! Porque estava enterrado!
- Oh, sim, claro, faz muito sentido Majestade, mas por que o tesouro estava enterrado?
- Porque estando desenterrado, os koopas podem vir roubar, oras!
- Então agora que você desenterrou, os koopas não virão roubar o tesouro?
- É lógico que não! Ai menina, como você é burra!
Alice estava ficando muito brava com a princesa. Encheu o peito, e falou como uma menina de 12 anos:
- Pois fique a senhorita sabendo que você foi muito rude em falar comigo desse jeito! Eu não vi lógica nenhuma em dizer que agora o tesouro não pode ser roubado!
- Mas menina, ele está enterrado! - Falou a princesa, dessa vez quase gritando.
- Mas Majestade, você acabou de desenterrá-lo!
Fez-se silêncio por alguns segundos, ou menos que isso.
- É verdade menina! - Disse a princesa, que no mesmo momento pegou o tesouro e começou a enterrá-lo novamente.
“Nem mesmo Diná, que é tão burrinha, é pior que essa princesa!” , pensou Alice, que saiu sorrindo, apesar de tudo.